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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Sinopse 2010

Maranhão - Liberdade a Quem Se Manifesta.

“Um povo que não ama e não preserva suas formas de expressão mais autênticas, jamais será um povo livre”. (Plínio Marcos)

Rufem os tambores de Crioula! Soem os atabaques da Casa das Minas!

Se a cultura é a essência, o espírito, a luz que marca a identidade de um povo, sua gama de manifestações nunca deve se perder ou ser esquecida. Assim são as expressões de vida emanadas das terras maranhenses: exaltando o folclore, as manifestações típicas daquela terra, o espírito do povo que se irradia como patrimônio imorredouro e necessário para manutenção da identidade e da própria existência de uma nação, que a ele se reporta para poder continuar.

Vistam-se de branco, vermelho e preto, como a poesia de seu estandarte, eternizada na história.

A caravana da cultura da SRESV. Império do Progresso chega, embalada pelo som de tambores e atabaques, para circular expressões de cultura popular, brincadeiras, danças, canto, fé e louvação, numa mistura infinita e poética chamada Maranhão.

Desta forma, senhoras e senhores, vamos acompanhar os sons, danças, a fé e a luz que são demonstradas pelos tambores da Casa das Minas (Querebentan de Zomadonu), reino de Agotime e da Casa Nagô. É o povo de Dan, resistência viva dos herdeiros da ancestralidade africana no Maranhão. É a Serpente de Oxumaré invocando a força da África e fazendo resplandecer a sua força pela Avenida de desfiles. Apreciem, entreguem-se, permitam-se sentir toda a intensidade da ancestralidade africana do Tambor de Crioula e o ecoar de suas significações, símbolo de resistência.

Do povo emerge a fonte inesgotável para as representações artísticas, reunindo música e dança. O fascínio do boi é inegável. Seus personagens, ricamente vestidos, com fitas, chapéus coloridos, aventais brancos, penas e suas toadas permeiam o cancioneiro popular e é a maior manifestação dos festejos juninos maranhenses. Suas múltiplas variações: Zabumba, Orquestra e Matraca, vindos das diversas regiões do estado, culminando num grande encontro de bois, ápice da comemoração de São João. A dramatização do bumba-meu-boi encanta e, como no fim, após várias passagens e cantos, o boi renasce. Renasce como a verdadeira intenção de nossa caravana na valorização da cultura de raiz.

Os folguedos juninos não se resumem ao boi; é um imenso arraial. Sob o lume de fogueiras, há barracas de comes e bebes, bandeirinhas coloridas, quadrilhas, mascarados, fofões (mascarados, cuja representação remete a animais e figuras das lendas nativas maranhenses). Manifestações que, juntamente com os bois, “se encantam, vira saudade, lágrimas rolam, nasce a esperança; no ano seguinte, em prazo certo, com novos brilhos e a mesma ginga, volta ao terreiro, encanta e dança, que seu destino assim se cumpre, por mandamento de São João”.

Assim, há também louvação e devoção. São festas que celebram a fé, graças alcançadas, milagres realizados, mantendo viva a esperança de seu povo. A vocação do povo do Maranhão para festa é latente. Desta forma, superam-se as barreiras entre o sagrado e o profano, para fé e diversão entrelaçarem-se em uma chama viva e incessante de adoração. Tem procissão, festa de largo, Louvor a São Benedito, festa do Divino, dança de São Gonçalo, Cacuriá. Os caretas, saindo à noite, para procurar por Judas. Tudo presente nesta grande festa popular.

Senhoras e senhoras, como dito, não há mais barreiras entre a fé e a diversão. Diversão maior não há que a explosão da vida, o carnaval. O povo maranhense brinca o carnaval; as escolas de samba ganham o nome de turmas de samba; as crianças formam as tribos de índios. Tem as Casinhas da Roça, uma espécie de carro alegórico, simbolizando um casebre rural, cujos destaques são os tipos maranhenses, embalados pelo tambor de crioula. Não se esqueçam dos antigos bailes de máscara – ah que saudade! Que bom que estão sendo revitalizados. Todavia, o melhor é o carnaval da rua, com carimbó, capoeira (que dizem, surgiram no Maranhão), Pato Pelado (blocos com fantasias diversas), pra folia ficar cada vez mais “Mara”! (Já que os jovens maranhenses referem-se carinhosamente ao estado como tal).

Agora, façamos um círculo pra escutar as encantarias. O que não falta no Maranhão são estórias e lendas. Como um grande teatro de fantoches, vamos ouvir sobre a Velha Manguda, a Mulher de Guaxenduba, “Nhá Jança”, Olho D’água, Palácio das Lágrimas, Reis e Touros Negros. É muita encantaria que serve de inspiração pra criançada se fantasiar e mascarar pra brincar o carnaval.

Uma nação tão cultural absorve outras manifestações. Da proximidade com as ilhas caribenhas veio o reggae. O ritmo misturou-se tanto com a cultura local, que ganhou feições próprias, o chamado reggae-root, estilo que se difere da matriz jamaicana. Sua execução, através da radiola – uma central radiofônica, que anima os bailes populares. Ainda nessa musicalidade, destacam-se os festivais de Música, corais e poesia, alem de toda consagração da música maranhense, do Curió, feiras e apresentações em terreiros e na vida da rua.

É toda essa “maranhensidade” cultural, que torna o estado uma ferveção de vida e expressões de um povo singular, que a nossa Caravana vem resgatar e reviver essa chama de vida, que nunca há de se apagar! Recordando toda Nobreza que o estado abrigou em sua história, as lições de vida, a africanidade misturada com os costumes indígenas, formando a essência da vida Maranhense, que com muito carinho foram transmitidas a quem ama o samba e o boi, para perpetuar toda a liberdade a quem se manifesta!

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Progresso 2010 - Enredo e Texto de Apresentação

Maranhão
Liberdade a Quem Se Manifesta

É carnaval!
Você é o convidado de mais uma festa!

Para 2010, a Sociedade Recreativa Escola de Samba Virtual Império do Progresso te propõem uma viagem! É, isso mesmo!
Você ja foi ao Maranhão? Não?
Então, venha conhecer!


Não queremos textos históricos, não queremos o comum de um
enredo que exalte uma localidade. Queremos o calor do seu povo!
E é do calor e da cultura popular maranhense que modelaremos nosso enredo e nosso desfile.

Queremos, como escola de samba, ser o veículo que dê asas para que esse povo se revele, marque presença, mostre seus valores culturais.
Buscamos o sentimento de liberdade, de alegria, de festa.

Que soem os tambores, trazendo vibração e energia!

Abram-se os terreiros, evoquem todas as energias, todas as cores e sons que dão vida à essa terra.

Que se expresse! Se manifeste! Todo esse povo...
Que alcance o mais puro sentimento de liberdade em sentir a arte, viver a arte, ser a arte viva. Ser, então, Maranhense!

"Um povo que não ama e não preserva suas formas de expressão mais autênticas, jamais será um povo livre" (Plínio Marcos)

quinta-feira, 20 de março de 2008

Sinopse do Carnaval 2008

Pra manter o barracão sempre atualizado, nossa equipe de produção não deixou a peteca cair e traz para vocês mais uma novidade.
Dessa vez a novidade é a sinopse do carnaval de 2008. De autoria de Vitor Saraiva, o enredo que a Império do Progresso orgulhosamente para a Passarela João Jorge Trinta em 2008 é:


IMPÉRIO DO PROGRESSO

Beagle em Águas Brasileiras
Autor do Enredo: Vítor Saraiva

O sopro do oceano agita as velas do navio, empurrando-o rumo ao seu destino. Na proa, um jovem contempla a imensidão azul que se estende a sua volta. Todo um mundo a ser explorado, universo de mistérios a serem desvendados.

Estamos no início do século XIX. A Inglaterra, naquele período, era a única nação com poderio naval para explorar os mares. E havia rotas comerciais que muito a interessavam, como os mercados de países latinos, a pouco tornados independentes de suas colônias. Mas faltavam aos britânicos documentos técnicos, mapas e cartas náuticas que permitissem a navegação. A fim de resolver este problema, foi organizada uma grande expedição. A bordo de uma sofisticada embarcação, renomados estudiosos visitariam diversos continentes, mapeando as suas costas. Qual não foi a alegria de Charles Darwin quando recebeu o convite para embarcar na empreitada. Logo ele, um jovem naturalista de apenas 22 anos, apaixonado pelas ciências naturais, e cujo maior desejo era, justamente, desbravar o mundo.

Eis, portanto, que no dia 27 de dezembro de 1831, o HMS Beagle partiu da Inglaterra. Levava entre seus tripulantes um Darwin radiante. Era a realização do sonho de toda a sua vida.

De início, o Beagle passou pelas ilhas Canárias e por Cabo Verde. Agora Darwin, debruçado na frente do navio, com o vento a sacudir-lhe os cabelos, olhava com atenção para a linha do horizonte, onde se erguiam montes verdes e belos. A expedição chegava ao Brasil.

Que radiante visão da natureza brasileira! A elegância da mata, a beleza das flores, o verde brilhante e úmido das folhagens. O ruído dos insetos e o silêncio misterioso da floresta, sinfonia que inebriava os olhos e a alma do naturalista inglês.

O Beagle contornou o litoral brasileiro, ancorando na Bahia, em Pernambuco e no Rio de Janeiro. Em terra, Darwin estudou as diversas espécies de plantas, coletou insetos para sua coleção, fez apontamentos e observações sobre a fauna e a flora do país.

Porém, a visão paradisíaca da floresta tropical não foi a única imagem a chamar atenção do estudioso. O quadro real da escravidão, dos negros vendidos e negociados como mercadorias, causou-lhe profundo horror. A maneira como o branco violentava-os chocava Darwin, que não concordava com a idéia da raça justificar o maltrato e a violência entre os homens.

Para Darwin, se o brasileiro empenhasse seu esforço no zelo e na preservação da extraordinária natureza que lhe fora concedida, que genial país não haveria de nascer? Mas frente às injustiças e maldades dos ricos senhores de posse, como esperar que algo de bom acontecesse? Somente o negro, quando liberto do fardo da escravidão, Darwin acreditava, seria capaz de tomar as rédeas deste paraíso de belezas naturais, fazendo despertar o gigante Brasil.

Darwin e a expedição permaneceram por quatro meses em águas brasileiras. Findo este período, o Beagle levantou suas âncoras e ganhou novamente o oceano, prosseguindo viagem, um cortejo de golfinhos em seu encalço, numa despedida triunfal. Darwin, ao longo de sua volta ao mundo, veria outros tantos lugares extraordinários. Mas nenhum conseguiria apagar as belezas que o Brasil gravara nas retinas do naturalista.

Partindo das descobertas que fizera em sua aventura, Darwin elabora sua famosa teoria evolucionista. Derrubando o criacionismo católico, para o qual os seres surgiam do sopro divino do criador, Darwin explica e comprova que as espécies, na verdade, foram adaptando-se as suas necessidades ao longo do tempo, e somente as que o fizeram da maneira correta conseguiram sobreviver. Com essa idéia, que representa um enorme abalo no conhecimento das ciências naturais, Charles Darwin grava para sempre seu nome na história.

Somente aquele que consegue buscar soluções no meio em que vive, adaptando-se, consegue mudar o seu destino e vislumbrar um futuro melhor. Isto é evoluir. Sem a capacidade de nos refazer, de trocar o que está errado, estamos fadados ao desaparecimento. É desta maneira que se constrói uma grande nação. Eis, pois, a mensagem de Darwin ao Brasil.